POESIA ESCRITA EM 2021
Nos idos do início dos anos 2000,
Num período de separação, de desencontros,
Morando à região dos lagos, eu seguia,
Sempre ao Rio, onde a vida se desenha.
Uma das minhas preferências, um ritual sagrado,
Era dar um pulo no final do expediente,
No amarelinho da Cinelândia, o lugar abençoado,
Tomar aquele chopinho gelado, ardente.
Mas o tempo passou, e o trajeto se esvaiu,
Há tempos não faço esse percurso, a saudade aperta,
Será que o amarelinho ainda existe, sobrevive,
Principalmente após a pandemia, a incerteza desperta.
Curiosidade me move, e a nostalgia me chama,
Vou aparecer por lá, ver se ainda funciona,
O amarelinho, um “patrimônio cultual” da fama,
Da gastronomia do centro do Rio, uma lembrança.
E foi lá, naquele cenário de encontros e despedidas,
Que conheci a Lindinha, codinome afetuoso,
Nossos momentos, uma dança de químicas e vidas,
Amigos coloridos, sem compromissos, prazeroso.
Mas a mudança se aproximava, sorrateira,
Ela queria mais, ansiava por laços mais fortes,
Eu, vindo de uma relação longa, sem eira,
Não estava pronto para novos compromissos, suportes.
E então, naquele dia, o telefonema frio,
A voz dela, distante, anunciando o fim,
O amarelinho, outrora nosso refúgio, vazio,
Ela chegou, mas algo mudou, algo em mim.
Um amigo a acompanhava, o olhar inquisidor,
Ele partiu, ela permaneceu, a verdade nua,
Ela não me beijou, o adeus, o sabor,
Naquela hora, senti a perda, a despedida crua.
O amarelinho, testemunha silenciosa,
Guarda nossas memórias, nossos risos, nossos ais,
E eu, ali, na ponta da cadeira, a mente ansiosa,
A roda girou, a vida seguiu, e o tempo jamais volta atrás
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