quinta-feira, 9 de maio de 2024

Amarelinho da Cinelândia

 POESIA ESCRITA EM 2021


Nos idos do início dos anos 2000, 

Num período de separação, de desencontros, 

Morando à região dos lagos, eu seguia, 

Sempre ao Rio, onde a vida se desenha.


Uma das minhas preferências, um ritual sagrado, 

Era dar um pulo no final do expediente, 

No amarelinho da Cinelândia, o lugar abençoado, 

Tomar aquele chopinho gelado, ardente.


Mas o tempo passou, e o trajeto se esvaiu, 

Há tempos não faço esse percurso, a saudade aperta, 

Será que o amarelinho ainda existe, sobrevive, 

Principalmente após a pandemia, a incerteza desperta.


Curiosidade me move, e a nostalgia me chama, 

Vou aparecer por lá, ver se ainda funciona, 

O amarelinho, um “patrimônio cultual” da fama, 

Da gastronomia do centro do Rio, uma lembrança.


E foi lá, naquele cenário de encontros e despedidas, 

Que conheci a Lindinha, codinome afetuoso, 

Nossos momentos, uma dança de químicas e vidas, 

Amigos coloridos, sem compromissos, prazeroso.


Mas a mudança se aproximava, sorrateira, 

Ela queria mais, ansiava por laços mais fortes, 

Eu, vindo de uma relação longa, sem eira, 

Não estava pronto para novos compromissos, suportes.


E então, naquele dia, o telefonema frio, 

A voz dela, distante, anunciando o fim, 

O amarelinho, outrora nosso refúgio, vazio, 

Ela chegou, mas algo mudou, algo em mim.


Um amigo a acompanhava, o olhar inquisidor, 

Ele partiu, ela permaneceu, a verdade nua, 

Ela não me beijou, o adeus, o sabor, 

Naquela hora, senti a perda, a despedida crua.


O amarelinho, testemunha silenciosa, 

Guarda nossas memórias, nossos risos, nossos ais, 

E eu, ali, na ponta da cadeira, a mente ansiosa, 

A roda girou, a vida seguiu, e o tempo jamais volta atrás




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