sexta-feira, 17 de maio de 2024

Memórias de Marcio

 No Norte fluminense, sob o céu de brigadeiro,

Crescemos pequeninos, em lares de operário.

Pai na usina de açúcar, suor do dia inteiro,

No Rio de janeiro, estado de contrastes vário.


Era o fim da ditadura, a democracia a nascer,

Anos oitenta findavam, com esperanças a bordo.

Sonhávamos com fartura, escola, e o saber,

E médicos para todos, um futuro menos torto.


Marcio, meu irmão, partiu cedo demais,

Deus o levou aos quarenta e cinco, sem aviso.

Dezesseis anos já passaram, na memória ele jaz,

Lembrança viva, eterna, de um sorriso indeciso.


Amigo leal, por vezes perdido na bebida,

Confuso, ébrio, mas sempre irmão querido.

Aguarda por mim, diz a fé na vida,

Mas ainda não, viver é o vício decidido.


Viver é vício que não se quer largar,

Marcio, meu irmão, na memória a ecoar.


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