POESIA ESCRITA EM 2020
Aperta, aperta, aperta, até que escorregue,
Por entre os dedos, o poder se insinua,
E o ditado ecoa: “Manda quem pode,
Obedece quem tem juízo”, a verdade crua.
Homens trajando preto, semblantes sérios,
Guardiões do poder, das decisões,
Mas o poder, ah, o poder, ele é traiçoeiro,
Cega os olhos, obscurece os corações.
O povo, incauto, segue o fluxo,
Sem perceber as engrenagens em movimento,
E os homens de negro, com gesto brusco,
Ditam regras, impõem seu intento.
Nos bastidores, a fúria se acumula,
Como tempestade prestes a desabar,
E a ânsia coletiva, a gana que pulsa,
Arremete contra o véu do poder, sem hesitar.
Direitos e liberdades, outrora garantidos,
A força os toma, como onda avassaladora,
E a democracia, em palavras proferida,
É distorcida, manipulada, quase ilusória.
Chama-se o Homem 57, o ditador,
Mas o que fazem é ditar, controlar,
Até quando o povo suportará a dor,
O peso do poder que oprime, que faz sangrar?
O povo, sim, ele vê, mesmo quando não parece,
Por mais que vós, senhores, não o percebam,
A angústia cresce, a esperança enriquece,
E o poder, um dia, encontrará o que semeiam.
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