quinta-feira, 9 de maio de 2024

O Poder e o Povo

 POESIA ESCRITA EM 2020


Aperta, aperta, aperta, até que escorregue, 

Por entre os dedos, o poder se insinua, 

E o ditado ecoa: “Manda quem pode, 

Obedece quem tem juízo”, a verdade crua.

Homens trajando preto, semblantes sérios, 

Guardiões do poder, das decisões, 

Mas o poder, ah, o poder, ele é traiçoeiro, 

Cega os olhos, obscurece os corações.

O povo, incauto, segue o fluxo, 

Sem perceber as engrenagens em movimento, 

E os homens de negro, com gesto brusco, 

Ditam regras, impõem seu intento.

Nos bastidores, a fúria se acumula, 

Como tempestade prestes a desabar, 

E a ânsia coletiva, a gana que pulsa, 

Arremete contra o véu do poder, sem hesitar.

Direitos e liberdades, outrora garantidos, 

A força os toma, como onda avassaladora, 

E a democracia, em palavras proferida, 

É distorcida, manipulada, quase ilusória.

Chama-se o Homem 57, o ditador, 

Mas o que fazem é ditar, controlar, 

Até quando o povo suportará a dor, 

O peso do poder que oprime, que faz sangrar?

O povo, sim, ele vê, mesmo quando não parece, 

Por mais que vós, senhores, não o percebam, 

A angústia cresce, a esperança enriquece, 

E o poder, um dia, encontrará o que semeiam.

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