quinta-feira, 9 de maio de 2024

Vivências de Ontem e Hoje

 POESIA ESCRITA EM 2020


A vida, um mosaico de dias que se entrelaçam, 

E no tecido das lembranças, minha vozinha, 

Ah, que Deus a tenha, sua figura que jamais se desfaz, 

Ela, a guardiã, a defensora, a luz que me ilumina.


Lembro dos tempos em que eu era menino, 

Meu pai, o carrasco, com olhar severo, 

Mas quando minha avó entrava em cena, o destino, 

Ele pensava duas vezes, recuava, hesitante e sincero.


Na adolescência, a ânsia de explorar o mundo, 

E lá estava ela, minha avó, com sua “graninha”, 

Enfiava-a em meu bolso, fazia o sinal profundo, 

Com o dedo nos lábios, psiu! Silêncio, disfarça, não adivinha.


Orgulhoso, eu seguia, com o tesouro escondido, 

Se há arrependimento, é este que carrego, 

Nos idos de 80, longínquos, perdidos, 

Não dei meu último adeus à minha vozinha, e hoje me entrego.


O ouro que buscava, o brilho efêmero, 

Nunca pagou o preço de um pôr do sol, 

Quantas saudades, quantos momentos sinceros, 

Agora, olho o horizonte e sinto a falta, o arrebol.


Que a vida nos ensine a valorizar cada instante, 

As pessoas que amamos, os crepúsculos dourados, 

Pois o ouro pode encher bolsos, mas o coração errante, 

Anseia por mais: um último adeus, abraços apertados.

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