POESIA ESCRITA EM 2020
A vida, um mosaico de dias que se entrelaçam,
E no tecido das lembranças, minha vozinha,
Ah, que Deus a tenha, sua figura que jamais se desfaz,
Ela, a guardiã, a defensora, a luz que me ilumina.
Lembro dos tempos em que eu era menino,
Meu pai, o carrasco, com olhar severo,
Mas quando minha avó entrava em cena, o destino,
Ele pensava duas vezes, recuava, hesitante e sincero.
Na adolescência, a ânsia de explorar o mundo,
E lá estava ela, minha avó, com sua “graninha”,
Enfiava-a em meu bolso, fazia o sinal profundo,
Com o dedo nos lábios, psiu! Silêncio, disfarça, não adivinha.
Orgulhoso, eu seguia, com o tesouro escondido,
Se há arrependimento, é este que carrego,
Nos idos de 80, longínquos, perdidos,
Não dei meu último adeus à minha vozinha, e hoje me entrego.
O ouro que buscava, o brilho efêmero,
Nunca pagou o preço de um pôr do sol,
Quantas saudades, quantos momentos sinceros,
Agora, olho o horizonte e sinto a falta, o arrebol.
Que a vida nos ensine a valorizar cada instante,
As pessoas que amamos, os crepúsculos dourados,
Pois o ouro pode encher bolsos, mas o coração errante,
Anseia por mais: um último adeus, abraços apertados.
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